quinta-feira, 30 de abril de 2009

Capitulo 1 - O Tolo

É difícil, amar alguém que já está morto, assim como é difícil esquecê-lo.
Novamente, sonhei com “ele”. Gare. Na verdade foi mais um pesadelo do que um sonho, ele estava de costas para mim. Ele estava segurando algo, uma rosa, vermelha. Eu até consegui abrir a boca e soltar " Gare". Ele virou-se para mim, e sorriu como quem pede desculpa, suas sobrancelhas, retraídas para cima e em seus lábios um sorriso gentil.
O sorriso que ele sempre dava quando, achava que, me magoava. Mais o que há de pesadelo nisso? Quer dizer, ele estava na minha frente, com os seus cabelos vermelhos e espetados, flutuando no ar. O sol batendo levemente em sua pele corada. Os seus olhos verdes esmeraldas estavam refletindo o crepúsculo.
Era a figura mais linda que eu já vira na minha frente.
Mais infelizmente, virou um pesadelo quando eu percebi que sua blusa branca estava manchada de vermelho. Na verdade o vermelho era de seu sangue. No coração, onde aquele cara mal e louco, perfurou-o com a ponta de seu Florete.
E Ele ajoelhou-se, sem tirar os olhos de mim. Tentei correr para socorre-lo. Mais algo prendia meus pés ao chão. O seu sangue que estava sendo derramado, estava rastejando em minha direção e subindo pela minha perna.
O sangue dele, chegou em meu pescoço quando eu acordei levantando-me subitamente da cama.
Olhei ao redor do meu quarto, por um instante eu senti uma aura triste. Mais eu apenas vi Kaike e Amallia me olhando com os olhos curiosos. Vi um pequeno vulto na minha varanda. Corri abrindo a porta de vidro, mais não tinha nada lá.
Entrei decepcionada e fechei a porta atrás de mim. Eu senti que havia algo lá. Amallia e Kaike trocaram olhares e disseram:
- Gare ?-
Assenti com a cabeça, sabia o que eles me perguntavam, eles sempre me perguntavam a mesma coisa quando eu acordava subitamente. É uma pergunta subtendida de "Sonhou com o Gare novamente?".
Mais senti um arrepio pecorrer pelo meu corpo, por um instante, senti que aquilo não foi apenas um sonho, havia uma aura, muito triste. Que eu tinha certeza de que não era a aura divertida de Amallia e nem a aura rebelde de Kaike.
Kaike, abriu os seus lábios cheios, eu sabia o que estava por vir. Ele ia começar o seu velho discurso de "se conforme, o Gare está morto!" novamente.
- Ana, pela milionésima vez... - Hum, ele também estava contando! - O Gare está morto!
- Eu sei! - Exclamei, eu já sabia disso, até o meu inconsciente sabia disso - Me desculpe se eu não sei controlar os meus sonhos!
- Deveria aprender! - Ele rosnou.
Por algum motivo desconhecido ele não gosta de me ouvir falar do irmão. Será que nele doía tanto quanto em mim?
Virei meu rosto e abaixei a cabeça.
- Ah - Soltou Amallia, que presenciara essa cena, ela me abraçou como sempre fazia e disse - Não se preocupe Ana, pelo visto o Kaike não se importa que isso lhe machuque tanto quanto nele.
- Eu sei, pelo visto ele é uma criatura terrível que somente liga para os próprios sentimentos enquanto ignora os dos outros - Eu disse brincando.
- Ei! Eu não quis dizer isso! - Ele exclamou.
Era engraçado ver a reação dele, ele sempre caía na brincadeira da Amallia, isso o fazia se sentir culpado.
- Argh! Vocês duas são malvadas! - Ele exclamou
Amallia e eu demos risadas.
Kaike puxou um pequeno bloquinho de notas de um dois bolços de sua calça preta e disse:
- Já foi a sétima vez, só em cinco dias - Ele disse fazendo um risquinho.
Apesar de estar subentendido nessa frase também, eu sabia a que ele estava se referindo. Desde quando ele ficava contando quantas vezes eu sonhava com "ele".
- Ei! Desde quando você está contando isso! E sem o meu consentimento! - Exclamei.
- Amallia e eu fizemos uma aposta - Ele informou - Quantas vezes em uma semana você sonha com ele.
Olhei para a Amallia com o melhor olhar de ultraje que eu tinha, e disse:
- Você também? -
- Sinto muito, Ana, o Kaike me desafiou e eu não pude resistir - Disse ela entre risos, ela estava se divertindo com a minha reação.
Eu consegui fugir do radar deles, porque essa não foi a sétima vez, foi a décima, à noite eu durmo e acordo, durmo e acordo.
Será que eles sabiam o quanto me magoavam, brincando com os sentimentos (que agora é óbivio) que eu tinha pelo irmão deles?
Provavelmente não.
- Vou dar uma volta no jardim -Eu disse saindo pela porta colossal do meu quarto.
O jardim, era o único lugar que eles eram proíbidos de entrar. E o único motivo para isso, era que eles não curtiam o cheiro das várias flores que eu tinha, que ia de Rosas e margaridas até violetas e orquídeas.
Deitei-me no banco de pedra cinza. Ele era menor que eu, então minhas canelas ficavam de fora. Apoiei minha cabeça em minha mão esquerda, e estendi a direita para pegar uma orquídea branca.
Amallia odiava orquídeas, essa seria a arma de minha vingança. Iria pegá-la com a guarda baixa e colocar a flor em seu nariz.
Coloquei a flor em cima de meu corpo, e coloquei a mão direita em minha cabeça para a ajudar a minha mão esquerda que já estava dormente.
Fechei os olhos e ispirei o cheiro de todas as flores juntas, e isso fez o meu nariz arder um pouco. No fundo eu sempre gostei de estar sozinha.
- shiroi bara no hanabira
hitotsu futatsu chiru toki
yasashii asa ni somerareru deshou
soshite umarekawatte
anata no mune ni sakeba
futari no ai wa eien ni naru - Eu cantei.
É legal ficar sem ninguém por perto, eu não sinto auras além da minha. Eu não me sinto mal, ou me perguntando o que foi que eu fiz de errado para deixar aquela ou essa pessoa com raiva ou triste.
Mais alguém estragou esse momento, uma aura desconhecida se aproximava de mim, eu deveria entrar em pânico?
Não, eu sentia que essa pessoa era tão inofenciva quanto um gatinho. Talvez, fosse a Camellia, a minha "gatinha".
Bom ao menos que de uma hora para a outra ela tivesse polegares para tentar tirar a flor de orquídea de mim, eu realmente acreditaria que era ela.
Segurei o braço que tocara na flor, sua aura triste, agora emanava um pouco de... susto.
- Vamos ver... - Eu disse ainda de olhos fechados - suas mãos são ásperas de mais para ser de Amallia, então resta o Kaike, mais a jugar que sua aura é triste e não rebelde como a dele. Eu irei chutar e dizer que... - eu abri os olhos - você é um estranho.
Ele era alto, de cabelos vermelhos e espetados, como os de Gare. Usava uma máscara, preta, onde do lado esquerdo formava gotas que pareciam estar subindo e do lado direito, gotas que pareciam estar sendo derramadas, mal dava para ver os seus olhos. Sua boca estava um pouco aberta - provavelmente pelo susto que eu lhe causara -. Ele usava uma jaqueta longa, de gola alta e preta, que estava aberta, mostrando a sua blusa social branca. E usava uma calça jeans azul, com tênis preto.
Ele tentava recompor o rosto. Pensei que ele teria um ataque ali na minha frente.
- Mais, você só pode ser tolo... - Disse me sentando no banco, colocando a flor no meu lado esquerdo. E completei - Eu realmente não sei como foi que você "driblou" a segurança, mais espero que saiba que eu sou pior do que todos eles juntos.
Ele continuava calado, com o rosto recomposto. Sua aura estava incrédula. Passei minha mão enfrente ao seu rosto para ver se ele reagia. Mais também não fez nada.
- Qual é o seu nome? - Perguntei, será que eu o assustara tanto assim?
Ele abriu a boca, até que fim ele teve uma reação, respirou fundo, deu um pigarro e disse:
- G... - Ele se interrompeu, pensou um pouco e continuou - Raite.
- Então... Raite... desculpe se eu lhe assustei mas... o que você está fazendo aqui? - Perguntei, com a voz mais amigável que eu tinha.
- Nada que seja da sua conta - Ele disse dando meia volta, ele queria fugir?
Segurei-o pelo braço e disse:
- Desculpe mais, nas condições em que você se encontra... não creio que isso não seja "da minha conta" -
Ele virou exitante para mim.
- Condições? Em que condições eu me encontro? - Sua voz era divertida.
- Bem, para começarmos, você "invadiu" a minha casa. Acho que mereço ao menos saber o por quê - Eu disse soltando-o e cruzando os meus braços e completei - Você acha que eu não percebi as outras sete vezes também?
- Bem... - Ele começou, se aproximando em passos cautelosos, até está pertinho de mim.
Ele teve que se curvar para falar "cara a cara", no sentido literal. Apoiou a mão esquerda no joelho e estendeu a direita para acariciar o meu rosto.
Senti o meu rosto queimar com o sangue que subia para lá. Eu estava corando, e meu coração batia desesperado.
- E se eu dissesse que... vim pegar algo que me pertence? - Sua voz estava macia, e seu sorriso gentil.
Mais ao que ele se referia?
Voltando a respirar, eu tirei a sua mão de meu rosto.
- O que lhe pertence? Desculpe mais eu não entendi o intuito de sua resposta - Eu disse, com a voz controlada.
- Não entenda - Ele disse, novamente com a sua voz divertida.
- Você é realmente louco - Eu disse.
- Obrigado - Ele disse dando um salto, e foi parar ensima do banco cinza.
- Isso não foi um elogio - Eu informei-o.
- Para mim foi. A vida é mais divertida com um pouco de loucura... quero dizer, seria muito chato se nós vivêssemos cada dia de nossas vidas, como nós agimos para ser aceitos na sociedade, sabe, com todas aquelas mascáras que não dizem quem somos, todas aquelas... Personas - Ele disse sentando-se aonde ele havia pulado, fazendo uma pose de pensador.
- Personas? - Eu disse confusa sentando-me ao seu lado - Você está se referindo a "mascaras" que as pessoas usam para serem aceitas na sociedade? Aquelas, que escondem quem elas são de verdade e que elas ficam por não aceitá-las do geito que são. Por isso na frente dos outros elas agem apenas de forma conveniente, para não serem regeitadas. Não é?
- Isso mesmo. Como você sabe disso? - Ele perguntou.
- Eu tinha... um amigo que falava isso às vezes... - Eu disse, enquanto em minha mente vinha apenas a imagem sorridente dele. Gare. - Ele sempre dizia... "Se tu se escondes atrás da máscara, e esqueces quem tu és de verdade, tu apenas conseguirás que as pessoas ao seu redor presenciem uma máscara com apenas uma sombra, uma máscara de alguém que não é você"... bem em outras palavras uma... Persona - Terminei.
Ele ficou me olhando como se eu fosse louca. Odeio esse olhar.
- O que foi? - Perguntei.
- N-nada... - Ele disse - Eu apenas não esperava que você fosse tão... tão... - Ele não terminou a frase.
- Tão..? - Perguntei.
- Ah, sei lá... Interessante - Disse ele confuso.
- Eu realmente não entendo - Eu disse.
- O que? - Ele perguntou.
- Porque você é tão diferente da sua aura. A sua aura é triste mais... você não me parece triste- Eu disse, minha voz cheia de frustração.
- E quem lhe disse isso? É o que eu pareço? Eu pareço alguém que está sempre de bem com a vida? - Ele perguntou - Saiba que eu posso até estar sendo legal com você... mais esse não é o meu normal - Ele disse, as palavras saindo em uma corrente.
- Então... - Eu comecei arredando para o lado oposto do que ele estava - Você acabou de falar sobre... Persona, mais se esse não é o seu normal... isso não faria você usar uma máscara, uma Persona... para ser aceito por mim? - Perguntei.
- E-eu... - Ele não conseguiu falar mais nada, porque Kaike apareceu no jardim.
Mais que milagre ele aqui. Ele é o que mais odeia este lugar. Mais a quanto tempo ele estava lá, encostado naquela árvore?
- Ana... Amallia quer falar com você, e você e eu precisamos ter uma conversa "Raite" - Seu tom era ameaçador.
Raite engoliu o seco e assentiu com a cabeça.
- Não se preocupe - Eu sussurrei - Se lembra do ditado "cão que ladra não morde"? Conheça quem deu origem a ele.
Raite deu uma risadinha. E eu me levantei para ir falar com a Amallia. Por um instante pensei que o Kaike fosse capaz de ir para o fight com o Raite, eu sei que ele é hostil às vezes, mais ele não vai fazer isso. Eu espero.
Quando eu cheguei na sala de estar, Amallia me esperava aflita enquanto varría o chão. Algo havia acontecido?- Ah, Ana - Ela disse parando de varrer e colocando a vassoura apoiada na parede.- Aconteceu algo? - Perguntei confusa.- Ele falou algo com você ? - Ela perguntou me segurando pelo ombro.- Uma ou duas palavras, por que? - Eu perguntei.- Sobre o que vocês falaram? - Ela perguntou.- Nada muito enteressante, algo haver com Personas - Eu respondi indiferente.Ela ficou me encarando por um longo tempo.- Amallia... - Eu comecei.- Sim? - Ela respondeu.- Me solta, por favor - Eu disse olhando para os seus braços.Ela soltou-me e disse:- Desculpe.- Estou livre do interrogátorio agora? - Perguntei.- Está - Ela respondeu.Saí da sala, pelo corredor longo em que eu passava, olhei atráves da janela o jardim. Onde as folhas do arbusto e as folhas das árvores, dançavam a irresístivel valça da noite.E lá Raite e Kaike não estavam.Depois de um minuto, andei para o meu quarto. Onde eu resolvi tomar um banho. E dormir, mesmo sabendo que eu teria um pesadêlo com ele. Novamente.

2 comentários:

  1. minha cara Konohana em " coração, onde aquele cara mal e louco, perfurou-o com a ponta de seu Florete, mal é MAU

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  2. e de novo 'Mais' e 'Mas', o primeiro é conjunção aditiva, serve pra acrescentar alguma coisa à sentença; e o segundo, conjunção adversativa ou opositiva, para, bem, opor(?) ~brinks~
    para diferenciar substitua o 'mas' por 'porém' e se tiver o significa que você quer dizer é o 'mas' sem 'i'. pronto. /aula de português, oi.

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