Quando eu recuperei a consiência. Fiquei feliz ao saber que eu não estava morta. Apesar que eu tinha todas as razões para imaginar isso.
Eu acordei em um quarto branco. Eu estava deitada em uma cama com barras de ferro, pintadas de branco. E no meu quarto havia duas pessoas tão bonitas que pareciam dois anjos.
Era um homem e uma mulher. O homem, era alto de cabelos loiros e olhos azuis, já a mulher era ruiva de olhos castanhos. Provavelemente era médica, pois estava com um jaleco branco, escrito "Dra. Victória". Demorei um tempo para entender que eu estava em um hospital. E quando percebi entrei em pânico.
- Droga! - Eu exclamei.
Tentei me levantar. Mais me senti muito fraca.
O homem alto e bonito, me empurrou, e eu caí em cima do travisseiro.
- Não se levante, por favor - Ele disse com um sorriso amigável.
- Ah, ela acordou - Disse Victória, e perguntou - Você está bem?
Concordei com a cabeça.
- Ótimo, porque eu tenho muitas perguntas - Ela disse.
O homem pôs a mão no ombro de Victória, e disse:
- Vic... amor, pege leve com ela, talvez ela não esteja psicológicamente pronta para isso, depois do que aconteceu com a irmã dela - Ele disse calmo.
Minha irmã. Eu me esqueci dela, o que aconteceu com ela?
- Minha irmã - Eu sussurrei - Eu preciso encontrá-la, eu preciso...
Me levantei novamente, e o homem me empurrou novamente, isso era um jogo para ele?
- Não se levante - Virou uma ordem - Sua irmã fugiu, furiosa por não ter conseguido te matar.
Vitória, fez uma careta horrorisada, se aproximou dele, e com sua prancheta cheia de diagnósticos, deu duas batidinhas na costa do homem, e disse:
- Não fale como se isso fosse a coisa mais comum do mundo, é muito feio duas irmãs brigarem entre si, Henry!
Eu me lembrei do momento em que ela me mordeu. Estremeci. Vampiros, isso realmente existia? E o que era "Lupino"?
- O que é "Lupino"? - Eu perguntei.
Os dois me olharam. E depois olharam entre si.
- É assim que aquelas "coisas" nos chamam - Ele disse c0m raiva - Lupino, vem de lupos, é uma palavra em latim, significa lobo.
- Mas, vampiros não existem, não é? Quer dizer, minha irmã deve ter ficado louca com a morte da mamãe e do papai - Eu disse inoscentemente, certamente eu acreditava que vampiros não existem, mais seus rostos estavam sérios, mau sinal - Existem?
Eu pude ouvir o som de desespero na minha voz.
"Não definitivamente não existem vampiros" Eu menti para mim mesma em meus pensamentos.
Relutante os dois concordaram com a cabeça:
- Existem, mas é proibido que os humanos saibam disso, se não eles entrariam em pânico e seria uma caça à vampiros, e eles seriam extintos - Victória disse.
- O mundo não perderia muita coisa - Sussurrou o homem.
Ela deu mais uma batidinha com a prancheta na costa dele.
Eu não pude evitar uma risadinha. Eles pararam e me olharam.
- Desculpem - Eu disse entre risos.
Depois de uma série de perguntas, e de muitas "pranchetadas" na costa do homem, que apropósito se chamava Henry. Eles me deixaram descansar. Logo ficou escuro e o Henry teve que ir para casa, e Victória tinha outros pacientes para atender. Então fiquei sozinha no quarto. Victória recomendou que eu dormisse um pouco, mas eu passei uma semana dormindo, não queria dormir de novo. Mais fui vencida pelo cansaço, quando eu dei por mim havia dormido.
Eu sonhei que a minha irmã estava sentada em cima de uma pilha de pessoas, ela estava limpando a boca com um lencinho. Eu reconheci cada pessoa daquela pilha. A base era os empregados, no meio estava o papai, e aonde ela estava sentada, era uma mulher parecida comigo, era espantoso. Ela tinha cabelos crespos, olhos azuis e o seu rosto... parecia o meu.
Minha irmã me olhou, seus olhos estavam vermelhos, parecia que ela dizia "Você será a próxima". Extremeci.
Acordei assustada e ofegante. Já era de manhã. Henry estava segurando a minha mão e estava sentado a uma cadeira não muito longe.
- Ah, então você acordou - Ele disse soltando a minha mão - Você estava tendo um pesadelo terrível, fiquei preocupado, você não queria acordar, quase chamo a Vic.
Eu me sentei na cama.
- Desculpe, por deixá-lo preocupado - Eu disse.
- Ah, tudo bem - Ele passou a mão nos cabelos loiros.
Meus olhos caíram na caixinha que ele tinha em suas mãos. Era uma caixinha branca de papelão e retangular.
- Ah, eu não me dou muito bem com crianças... mas... eu trouxe alguns doces a Vic disse que você podia comer... então... você quer? - Ele perguntou atropelando as palavras.
Ele abriu a caixa e o cheiro de doces invadiu o meu nariz. Como ele descobrira o meu ponto fraco, doces, eu amo doces.
Senti meu rosto se iluminar. Eu concordei com a cabeça. Ele estendeu a caixa, para mim e eu peguei um chocolate.
- Obrigada, Henry - Agradeci-lhe.
- De nada - Ele disse.
Nós ficamos conversando durante um longo tempo. E quando Victória foi me ver, ela gostou do que viu. Eu e o Henry estavámos conversando e trocando sorrisos como bons amigos.
- Nossa Henry, acho que a primeira criança que você não bota para correr - Ela disse surpresa.
- Ela é uma garotinha muito esperta - Ele me elogiou - É interessante conversar com ela.
- Obrigada pelos elogios, eu acho - Eu disse.
Ele sorriu para mim, e bagunçou os meus cabelos com suas mãos.
- Henry, quero falar com você a sós, agora por favor - Ela disse, seu rosto estava preocupado.
-Ok - Ele disse e deixou os doces ao meu lado, na cama - Pode pegar quantos você quiser.
E me deixaram sozinha novamente.
Eu peguei outro chocolate, e às vezes olhava desfarçadamente para ver a reação deles. Os dois me olhavam preocupados. Mas, depois quando eu olhei novamente eles pareciam felizes com alguma coisa.
Quando ele entrou, estava radiante.
Fitei-o até o momento em que ele sentou-se na cadeira que ele estáva lá. Ele soltou um suspiro, mordeu o lábio inferior e um sorriso esboçou-se em seus lábios cheios. Era um comportamento tão jovial.
- Que foi? - Ele perguntou.
- Não é nada, mais... - Eu exitei um pouco, ele fez um sinal para eu prosseguir - Quanto anos você tem?
Ele soltou uma risada alta. E ficou meia hora rindo sem me responder nada.
- 25 - Ele respondeu enfim, se acalmando.
- Pensei que tivesse menos - Eu disse desapontada, mudei de assunto - O que ela queria com você?
- A Vic? Nada de mais - Ele disse indiferente.
Olhei para os dedos dele, havia uma aliança. Eles eram casados.
- Então, vocês são casados, não são? - Perguntei.
- É, somos - Ele disse olhando para a aliança de ouro, relusente em seu dedo - Pode não parecer, mais ela é mais velha que eu, ela tem 38 anos. Conheci ela... quando eu me machuquei em uma de minhas... "caçadas".
- Caçadas? - Eu perguntei.
- É um vampiro malvado me machucou feio - Ele disse - O pai dela, trabalhava comigo antes de se "aposentar", quando ela cuidou de mim... ela estava cursando medicina, e eu estava no colegial. Apesar dos lobsomens, ou como a sua irmã falou Lupinos, se recuperarem rápido... demora algumas horas para se regenerar completamente.
- Por que eles se recuperam rápido? - Perguntei.
- Ainda não sabemos, mais é util. Sabe, o único jeito de um humano tornasse vampiro, é se eles darem o sangue deles para um humano. É no sangue onde se encontra o veneno, e quando o sangue de um vampiro, encosta em um machucado de lobsomem, o que é raro, o lobsomem morre - Ele disse - Acho que nos recuperamos rápido por extinto, para não morrermos .
Lembrei de minha irmã.
- E existe outro meio de transformação... sem ser por sangue? Quer dizer, eu não me lembro de ver minha irmã com a atitude mudada, só quando o papai morreu, mais era porque ela achava que eu o avia matado - Eu disse.
- Até aonde eu sei, pode ser por sangue, os que receberam maldição, ou dos pais ou da religião ou se ela já nasce vampiro, o que é raro - Ele disse calmo.
Abaixei a cabeça e franzi a testa. Estava preocupada com ela, apesar de tudo o que ela dissera outro dia, nada mais importava.
Ele pôs a mão em minha cabeça.
- Não é culpa sua - Ele disse tentando me confortar.
- É culpa minha sim - Eu disse - Eu deveria saber como ela se sentia, eu deveria ter tentado intendê-la melhor...
Senti meu rosto queimar, senti as lágrimas se formando.
- Ah, por favor me diga que você não vai chorar - Ele disse desesperado.
Não respondi nada. Apenas senti a lágrima ir rolando pelo meu rosto.
-Ah, eu odeio ver crianças chorando! Ainda mais se ela for uma gracinha - Ele disse.
Ele extendeu um lencinho branco para mim. Eu peguei enxuguei minhas lágrimas e o devolvi. Respirei fundo, eu sabia que era culpa minha, mas estava feliz ao saber que ele se preocupava.
- A culpa pode ser minha, mais obrigada por se preocupar - Eu disse.
Dei um sorrisinho discreto.
Ficamos conversando por mais um tempo até a Victória pedir para que os dois saíssem para comer alguma coisa. Ele não queria me deixar sozinha, mais eu dei força, disse que não me importava.
Quando serviram o almoço. Não era uma coisa muito gostosa, mais dava para o gasto.
Eu sentia como se não tivesse dormido à noite. Eu estava com sono e cansada, tão cansada que nem percebi quando dormi. Eu tive novamente aquele pesadêlo, aquela carnificina.
E eu acordei na mesma parte. Mais dessa vez, eu quase pulei da cama.
- Você está bem? - Perguntou Victória.
Eu olhei ao redor. Ela e Henry já haviam voltado, e ambos estavam me olhando preocupados.
- Foi disso que você me falou? - Ela perguntou para Henry.
- Foi - Ele disse.
- Falou do quê? - Eu perguntei.
- Você tem que se filmar enquanto dorme - Ele disse irônico.
- Ele disse que você fica estranha enquanto dorme. E você realmente fica. Parece que você está levando choque, fica se contorcendo toda. É assustador - Victória disse assustada.
Pensei um pouco sobre o que eles me disseram.
O resto das semanas que eu fiquei hospitalada, a Victória me visitava sempre que ela podia, e Henry ficava comigo até anoitecer, ele me disse que era quando ele ia atrás de Serenah.
Quando saí do hospital, pensei que iria para o conselho tutelar. Mais Victória e Henry, me guardaram uma surpresa, eles me adotaram. E me guardaram esse segredo até eu sair do hospital.
Eu já os considerava meus pais. Eu fiquei com uma felícidade que eu mal conseguia falar. Percebi que talvez, nem todos os ditados que eu conhecera era mentira havia um em particular que eu que combinava perfeitamente comigo. "Depois da tempestade vem a bonança". Quando eu estava com eles, nada mais me importava, apenas queria esquecer por um instante que a minha irmã que queria me matar existia. Apenas queria que eles fossem o início de minha "nova vida", queria que eles fossem o Início de uma época passifíca.
terça-feira, 21 de julho de 2009
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