Eu vagava nas ruas escuras, úmidas e quase desertas da cidade. Sem casa, sem rumo e sem destino, percebi que era a única coisa que eu poderia fazer por mim mesma. Eu era apenas um demônio, com uma insaciável sede de sangue, que controlava o corpo de alguém que morrera. Aquele alguém não era eu. Eu não era mais Crisnelle Fontaine, agora eu apenas era uma marionete que estava destinada a vagar por este mundo perdido. Esse podia ser meu nome, podia ser meu cabelo, podia até ser meu rosto e ter um cheiro parecido com o meu antigo. Porém eu sabia que não era mais eu.
Estou apenas destinada a seguir meu criador, o quem me amaldiçoara. Meu “mestre”, Willham, sempre dissera que isso era uma bênção, ficar bonita e viver para sempre. Porém algo me preocupa, até quando é para sempre? Até quando a minha cede insaciável irá acabar junto com minha tortura, minha dor e minha agonia?
Ao seu lado, eu tentava acompanhar o seu ritmo, mas não conseguia. Ele tinha pernas muitos longas e dava passos largos, parecia que ele queria correr. Pelo fato de ainda ter algumas pessoas na rua, eu não podia usar a minha agilidade. Mas minhas pernas de dezoito anos não conseguiam acompanhar as suas de trinta e cinco, isso me fez lembrar que quando ele me transformou, pensou que eu tinha vinte e um anos.
Me assustei quando ele parou bruscamente na minha frente, isso não era um bom sinal.
- Já vai amanhecer, devemos voltar para “casa” - Disse ele dando meia volta.
Enquanto retornávamos para a casa que nós alugamos, olhava ao redor. Os clubes ainda estavam cheios, com suas músicas excessivamente altas e com um bando de jovens dançando e conversando, ah quem me dera se eu tivesse aproveitado minha vida desse jeito. Como uma jovem garota humana que não queria saber de nada a não ser virar a noite dançando.
Eu passava entre as poucas pessoas da rua, seus cheiros não me incomodavam mais, eu estava tão cheia de sangue que sentia que eu ia vomitar-lo, claro que isso era impossível. Mesmo assim, ao pensar em pôr as minhas... hum, “presas” em suas jugulares, cheias de sangue quente, eu me sinto tão...
É difícil ser vampiro, se as pessoas acham que você escolhe quem você deixa vivo ou quem você mata, estão enganadas. Para você todos são comida, eu aprendi isso do modo mais duro possível, eu matei meu próprio irmão. Quando se está sedento por sangue... você não pensa, você apenas reage e quando você menos percebe, está traçando um destino cheio de derramamento de sangue, onde as pessoas são todas suas presas e você é um feroz lobo.
Será loucura minha compararmos com lobos? Nossos maiores inimigos? Os famosos “lupinos” os quais eu nunca me encontrei, eu não sei, porém eu sei que esse destino eu não desejo para nenhum humano, porque é o destino mais doloso que alguém pode traçar.
Eu queria ter tido uma escolha, a escolha que eu nunca tive, porém, se aparecesse um homem dizendo que me oferece a imortalidade e a beleza eterna, eu provavelmente teria aceitado sem me preocupar com o ônus. Mas, isso é porque eu e todos os outros adolescentes ou jovens adultos não pensamos em riscos, para nós tudo acontece com os outros e nunca com nós mesmos. E agora nesse meu estado, realmente não irá acontecer nada comigo, afinal estou forte, rápida e sou imortal.
Além do mais, tem que ficar se controlando, pois quando se é um vampiro, seus hormônios são terríveis, você fica com vontade de ter relações sexuais com qualquer pessoa, e você tem que se controlar, os vampiros se destraem facilmente, a maioria neles só pensão em sexo, sexo e sexo.
Percebi que eu estava me afastando de mas do mestre de cabelos loiros. Eu voltei a me aproximar dele e dessa vez agarrei seu braço.
- O que foi? - Perguntou o mestre.
- Você anda muito rápido, é melhor que eu fique lhe segurando para ter certeza que eu não vou me afastar muito de você – Eu cuspi as palavras atropelando-as.
Ele me olhou cético.
- Você tem medo de se perder, nós já viemos à essa cidade três vezes e você ainda não a decorou? - Disse ele.
- Nessa rua... - Comecei eu – Foi onde nos vimos pela primeira vez, mestre. Não trago boas recordações, apenas a recordo-me da neve, do frio e de seus olhos extremamente negros me olhando como se fosse me devorar, o que realmente aconteceu. – Contra-ataquei.
Ele me olhou durante um tempo, deu de ombro e disse:
- Tuchê.
O resto do caminho foi longo. Quando chegamos à nossa casa alugada faltava meia hora para amanhecer. Seu estilo antigo mais charmoso me agradava, era como estar em casa. Já estávamos morando aqui durante seis meses. Coloquei a minha bolsa em cima do sofá e fui para o meu caixão.
Estava me sentindo incrivelmente exausta. A única coisa que vinha a minha mente, era o meu caixão adornado por fora e acolchoado por dentro.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
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