segunda-feira, 3 de agosto de 2009

CAPITULO 1 - SUPER-HERÓIS

“Desista Lucy, 'nós' não vamos ter nosso jantar em família” Eu falei comigo mesma.
Olhei para a comida que eu havia feito, ela parecia estar no mínimo comestível. Fitei o peixe que eu havia feito, eu nem gosto de peixe. Mas meu pai gosta. Ele provavelmente deve ter um bom motivo para esquecer o nosso jantar. Ele sempre tem uma desculpa, por mais estúpida que seja.

- Ele prometeu – Eu resmunguei comigo mesma.

Era estranha a sensação de abandono que me inundava. No início senti-me traída, e agora sinto-me abandonada com uma pontada de raiva. Era tão raro o momento que nós dois podíamos ficar juntos como uma família. Olhei para o relógio, era quase meia-noite. Dei um suspiro. Peguei o meu prato e meu copo, levei-os para a cozinha e os deixei em cima do balcão.

Saí quase que correndo para o meu quarto. Quando subi o primeiro degrau da escada, ele abriu a porta. Me virei para vê-lo, senti uma pontada de esperança, esperava que ele não tivesse esquecido.

-Oh, Lucy, ainda estais acordada? - Ele perguntou surpreso.

Soltei um suspiro incrédulo. Meu queixo despencou. Atrás dele estava uma colega de trabalho, Ana.

- Nossa! - Ela exclamou e se aproximou de mim – Essa é a pequena Lucy? É um prazer revê-la.

Eu não disse nada, apenas assenti com a cabeça.

-Lucy, não está muito tarde para você ficar acordada? - Ele perguntou.

- Estava esperando o senhor, pai – Respondi.

Ele pensou um pouco, provavelmente o que diabos ele poderia ter marcado com a sua filha solitária e idiota. Então a ficha caiu.

- Ah, Lucy eu sinto muito é que eu... - Eu levantei a minha mão antes que ele desse alguma desculpa idiota.

- Está tudo bem – Eu respondi e completei – Sobrou bastante comida, pode comer o que quiser, isso é... se não tiver jantado.

E subi as escadas rapidamente e tranquei-me em meu quarto.
Senti minhas pernas ficarem moles, e quando dei por mim, estava sentava no chão de madeira do meu quarto. Abracei minhas pernas, com força, com praticamente toda a raiva que emanava de mim eu estivera certa o tempo todo, ele não ligava para as nossas “reuniões em família”. Ele está adiando isso novamente.

É assim desde que a mamãe se separou dele. Eu nem o vejo, quando ele chega em casa é tarde e eu já estou dormindo e quando acordo, ele já saiu.

Me joguei na cama, senti-a balançar com o impacto do meu peso com o seu colchão macio. Com o rosto no travesseiro, não demorou muito até ficar com falta de ar. Virei o meu rosto olhando para o criado-mudo ao lado direito de minha cama. Havia uma foto dela lá.

A melhor de nossas fotos. Sorri ao pensar naquele dia perfeito. O seu cabelo loiro e encaracolado estava macio, seus olhos azuis estavam incrivelmente cintilantes, em seus lábios um sorriso dócil e gentil. Ao seu lado estava o papai, sorrindo, com seus cabelos negros e lisos penteados, seus olhos verdes semi-serrados pelo brilho do sol. E No colo de meu pai, eu, com cinco anos de idade. Meus cachos negros estavam amarrados em duas marias chiquinhas, meus olhos azuis estavam brilhantes também.

Me levantei e fui me trocar para dormir.

Me deitei na cama e esperei o sono vir me fazer dormir. Mais não veio, esperei ver mais uma de minhas alucinações que, à essa altura em minha vida, já era freqüente. Sempre que eu limpava a minha mente ouvia coisas. Quando eu dei por mim eu havia adormecido e eu acordei assustada.

Olhei pela janela. O sol estava para nascer, o céu estava com aquela cor arroxeada. Me levantei e tomei banho com água fria. Vesti um short jeans e uma camisa rosa. Saí do banheiro e olhei o relógio do lado esquerdo de minha cama. Eram cinco horas.

Queria manter-me ocupada durante algum tempo, de preferência até as férias acabarem e o sol quente esfriar um pouco.

Desci as escadas um pouco com pressa. Meus pés descalços deram pequenos estalos na escada de madeira. Fui para a cozinha, lavei todas as louças sujas e limpei os balcões. E comecei a cozinhar dessa vez fiz comida só para um já que provavelmente ele não estaria comigo e não queria desperdiçar comida como ontem.

Fiz omeletes, era o mais fácil de se fazer.

Para a minha surpresa ele ainda estava em casa, quando ele me viu ele olhou ao redor e não viu seu prato. Ele se aproximou de mim e disse:

- Ah, entendi você está se vingando de mim, não é?

- Você acha que eu faria isso? - Eu disse cética – Claro que não, eu pensei que o senhor não estava então não fiz comida para você.

- E o que a fez pensar isso? - Ele perguntou.

- Sempre que eu acordo o senhor não está. Eu já até me acostumei a cozinhar só para mim – Eu respondi.

Ele revirou os olhos e foi para cozinha. Depois de acabar de comer, meu pai ainda estava na cozinha fiquei preocupada. Coloquei o prato e o copo novamente em cima do balcão. Fiquei olhando para ele. Ele estava fitando a panela.

- Como se sabe que está pronto? - Ele perguntou.
Me aproximei dele e então vendo a panela eu respondi desligando o forno:

- Podemos começar por... não deixando ele queimar.
Meu pai fez uma cara de reprovação, ele estava se reprovando.

- Eu sabia que deveria ter feito uma aula de culinária – Ele se repreendeu, com a voz cansada.
Isso fez eu me sentir mal por dentro. Pus a mão em seu ombro e suspirei, então eu disse:

- Tudo bem, pai eu cozinho para você.

- Obrigado, Lucy – Ele beijou a minha bochecha e foi para a sala.
Quando eu cheguei na sala, ele estava assistindo o jornal, ele não havia me notado lá.

- E hoje, foi mais um dos muitos dias de caos no departamento de polícia. Às denuncias de suicídios aumentaram assustadoramente, com mais de 20 pessoas mortas, Entre elas dois rapazes de 25 anos e dezoito pessoas de 16 anos. A polícia desconfia que não sejam apenas suicídios, mais um novo caso de um assassino em série... - Dizia a jornalista.

- É por isso que você quase nunca está em casa? - Eu perguntei, e ele me olhou sem responder –
E porque o senhor anda desligado ultimamente?

Ele permaneceu-se em silêncio, assentiu com a cabeça. Então ele deu um sorriso cansado e disse:

- Eu... estou sendo tão incompetente. Eu não sei o que está levando essas pessoas a se suicidarem e enquanto eu perco tempo me preocupando com as pessoas que já morreram... o tempo passa e isso... seja lá, o que for faz novas vítimas – Ele disse apoiando a cabeça nas mãos.

Coloquei o prato em cima da mesa. E andei até ele, e o abracei. Ele ficou em silêncio mais eu sabia que ele queria dizer algo. Então ele abriu a boca respirou fundo e disse:

- Esses dezoito adolescentes que morreram... eles tem a mesma idade que você. - Ele me olhou nos olhos – Se essa coisa, tocar em você, eu morro.

- Mais ele não vai. - Eu disse segura disso. Ele me olhou confuso – Eu sei que não vai, por que eu tenho um super-herói para me proteger, não é pai?

Ele riu pela maneira que eu o mencionei.

- Super-herói – Ele repetiu para si mesmo – Eu não consegui salvar vinte pessoas da morte, o que a faz pensar que eu posso salvar você, filha?

- Você acha que os super-heróis conseguem salvar todos? - Perguntei – O senhor acha que o Batman conseguiu salvar todas as pessoas em perigo? Ou o Super-homem?
Ele riu de minhas colocações. Então eu disse:

- Ninguém é perfeito, pai, o senhor que me ensinou isso. E sabe no que eu estou pensando agora?
Ele negou com a cabeça.

- Eu estou pensando que é melhor o senhor ir comer o seu café-da-manhã antes que esfrie – Eu disse.

Ele olhou para a omelete em cima da mesa. E me olhou novamente, ele me abraçou forte e disse:

- Fico feliz por você ter preferido ficar comigo do que com a sua mãe.

-Eu também – Eu respondi com um sorriso.

Um comentário:

  1. e denovo MAIIS com I ao invés de MAS. menine, quando em dúvida apenas substitua por PORÉM. Sua frase ficaria certa se fosse tipo assim: "Meu pai gosta MAIS", mas como vc n quis dizer isso. PRESTENÇÃO, NINA!

    evite palavras como 'cara' ("com a cara no..."). rosto é mais sutil :)

    acho que ela não demonstrou muita de sua raiva com o pai dela. se ela é uma boa menina e não quer ser mal-criada na frente da dama que seu pai levou para casa, ela poderia apenas não respondê-la. e falar com mais emoção.

    ela lembra de quando tinha dois anos de idade? nitidamente? i don't think so.

    tá, que cena fofa na cozinha *o*o*o*o*o* pensei que fosses citar o episódio 142 da série Superboy [da Marvel] em que o mostra como o 'superman' aprendeu que ele não pode salvar a todos e blábláblá.











































    /mentira, não sei se esse é o número do eps. mas ninguém iria sair caçando esse quadrinho por aí ;) ioasndioasndoais lol to adorando, srly.

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