O vento soprava pelos pequenos buracos no telhado e pelas janelas quebradas. Fazia um som assustador e sombrio, como o uivo de um lobo. Naquela noite o jovem Lúcio se revirava na cama com aqueles sons que lhe faziam sentir um arrepio na espinha. Ele sentia a presença de alguém em seu quarto. Um cheiro tremendamente atraente e envolvente estava lá.
O jovem sentou-se na cama, como se um alfinete lhe espetasse nas costas, e olhou ao redor de seu quarto. E achou a pessoa do cheiro envolvente.
- Desculpe-me senhor – Disse a garota – Não era a minha intenção acordá-lo.
Sua voz era doce, gentil e musical. Ela tinha o rosto de uma boneca de porcelana e era tão branca quanto. Seus olhos eram azuis brilhantes, como duas safiras. Seus lábios eram cheios, suas sobrancelhas e seu nariz eram delicados. Seus cabelos eram negros e cheios de cachinhos. De fato o garoto parecia estar de frente para uma boneca.
- Posso ajudá-la senhorita? - Perguntou Lúcio.
- Na verdade não, mas é que os seus seguranças estão muitos alarmados, parece que tentaram invadir o seu quarto, novamente – Seu tom era preocupado – Mandaram-me aqui para ver se o senhor está bem.
- Eu estou ótimo, obrigado – Disse o rapaz.
- Tudo bem então – Disse a moça – Boa noite senhor.
- Espere – Lúcio disse – Eu não me lembro de ter lhe visto aqui na velha mansão de minha avó – Ele disse.
- Ah, é que eu fui a última empregada que ela contratou, um pouco antes de morrer. E o senhor só veio morar aqui hoje, então... - Ele a interrompeu.
- Está bem, já entendi. Pode se retirar.
- Com sua licença – Disse a moça.
A garota fez uma breve reverência e então ia sair de seu quarto. Mas então Lúcio disse:
- Espere mais um pouco.
Antes de se virar para ele, a garota revirou os olhos, e então o olhou.
- Deseja mais alguma coisa – Disse ela, sem desmanchar o seu sorriso angelical.
- Você conhece alguma canção de ninar? - Ele perguntou.
- Desculpe? - A garota não entendeu.
- Uma canção, para me ajudar a dormir, eu não consigo dormir com esse barulho todo aqui. -
Disse ele.
Ela ficou calada por um tempo e então disse:
- Desculpe-me mais não conheço muitas músicas.
- Cante qualquer uma que seja lenta – Ele disse. Isso soou tão apelativo.
No fim, a jovem empregada de uns dezoito anos, cantou uma canção de ninar em francês. E era interessante o como ela falava a língua com perfeição. Sua voz delicada entrou em seus ouvidos como a bela voz de um anjo, como se ele estivesse chegado ao paraíso.
- Qual é o seu nome? - Ele perguntou sonolento.
Ele estava com a cabeça no colo da bela garota e fazendo um carinho no cabelo dele respondeu:
- Clair Fontaine.
Ela continuou a cantar.
Lúcio ficou entorpecido com a voz da moça, sentiu ir perdendo a consciência lentamente. E começou a sonhar, ele estava em um lugar lindo, parecia um antigo templo grego, era branco com colunas altas. Lá dentro, sua falecida avó lhe oferecia a mão, chamando-o para ir com ela. Lúcio deu um paço para frente. Demorou a perceber que estavam segurando o seu braço.
- Desculpe-me senhor, não posso deixar você ir! Não desse jeito! - A empregada Clair, puxava-o
pelo braço para o lado oposto.
Lúcio, sempre acreditou em significado dos sonhos. Ele que sempre teve dificuldade com a morte da avó, entendia que tinha que deixá-la seguir o seu próprio caminho, rumo ao Paraíso.
- Desculpe minha querida avó, dessa vez não vou com você – Disse ele indo com Clair.
Quando ele acordou, a garota não estava mais com ele, e já era de manhã.
domingo, 13 de setembro de 2009
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