- Sabe... - Ele disse sem abrir os olhos – Eu sempre me perguntei como uma pessoa, ou melhor, uma garota que aparentemente para mim não tinha muita utilidade e não representava nada, como você, pode ter um dom tão maravilhoso.
- Dom? - Dei uma risada cética – Eu não tenho dom, acho que virou um hábito meu, querer fazer com que todos ao meu redor se sintam bem. É como se eu quisesse protegê-los de si mesmos.
- Proteger – Ele repetiu a palavra – Isso foi o que eu não pude fazer pela minha irmã. Me sinto tão responsável e como se...– Sua voz falhou no fim.
Ele não queria continuar falando sobre isso.
- Você já teve a sensação de querer... dormir e nunca mais acordar – Ele deu um sorriso triste – Por que em seus sonhos... você sabe que será sempre feliz?
- Eu sei como é esse sentimento – Eu disse e me perdi em pensamentos.
Eu me lembrei de que cada vez em que o meu pai e minha mãe brigavam entre si. O como eu queria poder parar o tempo, ou gritar com os dois e dizer que eu não queria que eles brigassem assim, não na minha frente. Eu tive essa vontade, de deitar na minha cama, fechar os olhos e nunca mais acordar no mundo em que meus pais brigassem entre si, novamente.
Me lembrei do rosto triste de minha mãe, enquanto sentada na mesa da cozinha colocava as mãos na cabeça e repetia para si mesma “Tudo vai ficar bem”. Ela me dissera essa frase feita mais de dez vezes quando eu me machucava e sentia dor. Talvez por isso eu preferira ficar com meu pai, por que eu sabia que ele era uma pessoa que não mentia para si mesmo, e muito menos para mim. Ele não teme em me contar a verdade.
Minha mente ocupou-se com aqueles pensamentos desagradáveis. Minha mãe, ela me fazia sentir dor por algum motivo, ela sempre arranjava algum motivo para criticar o papai e humilhá-lo na minha frente. O fim foi inevitável, a separação.
Alguma coisa tocou na minha mão. Olhei para minha mão direita. Ele estava tocando nela.
- Sua mãe? - Ele me perguntou.
Assenti com a cabeça.
- Você queria que vocês pudessem ser uma família novamente? Você se arrepende de algo? - Ele perguntou, gentil.
- Daniel... era eu quem deveria dar apoio a você se lembra? - Eu disse irônica – Era eu que deveria estar lhe confortando. Por favor, você mal precisa de minha ajuda e agora que posso ajudar não me confunda.
- Hum... então a senhorita Bluewings consegue resolver os problemas dos outros mais não os próprios – Ele brincou, acho que estava melhor agora. - Bem, mudando de pato para ganço. As férias estão acabando. Esta é a ultima semana. Já decidiu como você passará o tempo?
- Sinceramente? Não. Mais pretendo aproveitar o máximo possível – Eu disse.
- Por que não damos uma volta pela cidade? - Ele perguntou – Sei que aqui não tem nada para se ver mais talvez seja bom para nós dois darmos uma volta por aqui, já que não podemos viajar. Conheço um lugar muito bom – Ele disse.
- Mesmo? Bem acho que pode ser, nós dois não temos nada à perder mesmo, não é? - Eu disse.
- Então, está marcado me encontre no centro da cidade amanhã, às duas da tarde, e não se atrase, odeio esperar – Ele disse, acho que o seu bom-humor voltou.
- Você parece melhor... agora – Fiz uma observação.
- Eu sempre fico melhor depois de desabafar com você, Lucy. Esse era o dom do qual eu estava falando. O dom de fazer as pessoas se sentirem melhor. Você é tão forte e segura de seus atos – Ele disse, se levantando acho que estava se empolgando – Você é como uma flor que seduz a todos com o seu perfume. É como se todos ao seu redor soubessem que você é confiável e que jamais lhes magoaria. - Flor? Perfume? Ele já estava exagerando.
Ele se jogou no sofá novamente, eu sei que não deveria, mais não pude evitar.
- Flor? Perfume? - Disse confusa – E se eu fosse uma erva daninha, e soltasse veneno? - Eu disse.
Ele me olhou cético, como se perguntasse, como se dissesse que por mais que eu quisesse ferir as pessoas, eu jamais conseguiria. E eu sabia que era verdade, eu jamais teria coragem de magoar uma pessoa. Assim como eu acho que nunca terei coragem de beber ou fumar na minha vida. Ainda mais porque eu acho nojento.
Ele abriu a boca mais a campainha tocou. Ele já tinha que ir.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
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sendo sincera, ainda não li. pq não. windioendnsd. vou ler amanhã, to com sono, bjs.
ResponderExcluirmas antes de eu ir dormir, quero te dar uma dica: www.nyah.com.br acesse, post sua história lá. esse site é ótimo, sério, mudou minha vida e pá.
acho que lá você vai encontrar os leitores que você tanto quer, apenas revise os erros de ortografia antes de postá-la, as pessoas prezam por uma boa leitura :) e faz bem pros olhos. q bjs. boa noite/dia, sei lá, quando vc ler isso, tenho um bom tempo após. qqqq parei, é o sono.
"Eu me lembrei de que cada vez em que o meu pai e minha mãe brigavam entre si."
ResponderExcluiralgo me diz que brigar já é entre si, afinal, ninguém briga sozinho q oiadsnfiosndfioasn, talvez não esteja tão explicido quanto parece para mim, mas...
"[...] - Eu disse.
[...] - Eu disse."
acho que você não precisa terminar uma fala colocando esse tipo de coisa, desde que só tem duas pessoas em cena... é meio que óbvio quem está falando. só uma dica pra você não repetir tanto o "eu disse/ele disse" e afins.
asoidnsodnoadn, beber ou fumar? vc só prejudica a si mesmo com o primeiro, a não ser que você dirija bêbada aí é outra coisa. mas sobre fumar eu concordo... prejudica a camada de ozônio q-s
bjs.