sábado, 8 de agosto de 2009

CAPITULO 7 - O RESTO DAS FÉRIAS

Passamos a manhã e a tarde inteira no parque, conversando sobre fatos curiosos. Senti como se eu tivesse aprendendo um pouco mais com ele, e sentindo como a nossa amizade estivesse ficando cada vez mais forte, porém na melhor parte, estava começando a anoitecer e ele teve que me levar para casa.

- Te vejo amanhã – Ele se despediu.

Assenti com a cabeça e entrei em casa.

A luz estava apagada, a única luz que tinha vinha do crepúsculo alaranjado do outro lado da janela. Eu subi para o meu quarto, e fui tomar um banho. Quando coloquei minhas coisas no criado-mudo, havia um bilhete lá. Estava escrito:

“ Lucy, precisamos conversar mais tarde. Assinado: Jacques(papai)”

Isso não era coisa boa, se ele tinha algo para me dizer, ele deveria ter me dito no café-da-manhã. Isso realmente não era um bom sinal.

Fui para o meu banheiro.

Tomei meu banho com a cabeça naquele maldito bilhete. O que quer ele quisesse falar comigo, não era coisa boa, eu tinha uma péssima sensação a respeito disso. Nem a relaxante água fria me deixou relaxada.

Me deitei na cama, sei que era muito cedo para dormir, mais eu estava esgotada. Virei o meu rosto para o lado da janela, por onde os últimos raios de sol passavam, e depois se escondiam atrás dos prédios. Fechei meus olhos e quando dei por mim havia dormido.

Meu pai me acordou, e o seu rosto não era dos melhores, era uma mistura de raiva e de pena. Sonolenta esfreguei os olhos e perguntei:

- Que horas são?

- Sete e vinte seis. - Ele respondeu.

- Da manhã? - Eu perguntei surpresa.

- Não da noite – Ele respondeu, ele me jogou um vestido rosa e mandou – Se arrume, agora.

- Hã? Por quê? - Eu perguntei confusa.

Ele apontou para a mala ao lado da minha cama e disse:

- Você vai passar o resto das suas férias com a sua mãe.

Eu me levantei rapidamente da minha cama e perguntei:

- Que papo é esse pai?

- Você vai passar os próximos cinco dias na casa da sua mãe. - Ele respondeu.

- Mais, por quê? Ela mora do outro lado da cidade – Eu teimei, mais eu sabia o porque eu não
queria ir para lá, porque além de eu não me dar bem, fica muito longe da casa do Daniel.

- Não teime comigo! - Ele elevou o seu tom de voz – Estarei te esperando lá embaixo.

Ele fechou a porta atrás de si mesmo com uma força mais do que necessária. Vesti o vestido que
ele jogara em mim e coloquei um grampo com um lacinho azul, em meu cabelo. Calcei um sapato azul também.

Ele já fizera a mala para mim.

Quando eu desci com a mala ele me olhou, nós dois não dissemos nada, eu e ele sabíamos que acabaríamos brigando e isso não era bom. No carro eu desviava os meus olhares para a mala, ele estava com tanta pressa de se livrar de mim? Esse pensamento me fez mal, eu senti como se uma espada tivesse atravessado meu coração. Eu apenas perguntei uma coisa.

- Por quê?

Uma pergunta que não teve resposta. Além de seu silêncio. Eu sabia que ele estava se controlando. Eu não queria que ele pensasse que eu estava com raiva dele. Então eu passei os meu braços ao redor de seu pescoço, dando-lhe um abraço. Ele tirou uma das mãos do volante, o que eu não recomendo, e acariciou-os.

- É por causa do Daniel, não é? - Eu perguntei com a voz baixa e mansa.

Ele assentiu com a cabeça. E então disse:

- Eu escutei o que ele lhe disse no degrau da escada. E você sabe quem morreu essa tarde?
Eu temi de perguntar, eu não queria saber de mais mortes, mesmo assim ele disse:

- Philip, Philip Clearwater.

Eu senti o choque em meu rosto. Tirei os meus braços de seu pescoço.

- Espera aí, essa tarde? Mais o Daniel passou a tarde e a manhã toda comigo – Eu o defendi.

- Lucy, intendo que você queira defendê-lo, ele é o seu amigo e tudo mais, porém você não pode ir inventando um álibi para ele – Ele não acreditou.

- Mais é verdade – Eu disse.

- Lucy, não vamos discutir, tudo bem? - Ele disse.

Passamos o resto do caminho calados, eu jogando rock band em meu PSP e ele dirigindo. Até que ele falou:

- Pense pelo lado positivo Lucy, você poderá ensaiar violino, sua mãe disse que ainda guardava o seu antigo violino – Ele incentivou.

Estacionou o carro na frente da casa dela. Era uma casa tão grande que poderia ser chamada de mansão. Era uma casa com paredes bejes e com uma grande janela de vidro na sala e três portas de vidros nos quartos com sacadas. As telhas eram alaranjadas, algumas estavam sujas e outras um pouco corroídas. Mas a casa tinha o seu charme.
Abri a porta de trás e olhei para a enorme casa, Olhei para a varanda minha mãe estava sentada lá, na escadinha de três andares. Assim que ela me viu ela veio correndo que nem naqueles filmes melosos, ou no mínimo um cachorrinho que não via a dona por um longo tempo.

Ela me deu um abraço muito forte.

- Lucy, quando o Jacques me disse que você viria passar cinco dias aqui, eu admito que quase tive um infarte. Você cresceu tanto! E está tão bonita – Ela disse ainda me abraçando.

- É bom ver você novamente mãe – Eu disse – Mais se você não se importar... eu vou precisar de meu corpo inteiro.

- Eu não consigo acreditar que você está aqui! - Ela exclamou.

- É nem eu – Eu disse com uma pontada de tristeza que eu disfarcei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário