Nicolly, acariciava os pelos lisos do focinho de seu companheiro, Akira, até ele cochilar em seu colo. Seu amigo que lhe observava a distância, encostado em uma das colunas do templo de Érebos, apenas observava a jovem a uma distância distante e perto o suficiente para protegê-la de qualquer coisa ameaçadora ou suspeita. Nicolly e seu amigo protetor, Matthew, sempre se deram muito bem, em compensação ele e a Akira não se davam tão bem assim.
O garoto de cabelos negros e bagunçados enfim perguntou:
- Aquela coisa já dormiu?
Nicolly virou-se para Matthew e mostrou que Akira enfim dormira, depois de muito espernear e de se revirar em seu colo. Matthew se aproximou dela calmamente, mesmo assim continuou em uma distância segura. A jovem fechou a cara para ele.
- O que eu fiz? - Perguntou Matthew confuso.
- Por que você trata ele desse jeito? - Perguntou ela.
- Ele sempre late, ou rorona ou rosna, seja lá o som que ele emita, quando eu estou por perto. É ele que não gosta de mim, e não o oposto – Defendeu-se.
Ela virou-se para uma empregada que estava por lá, colocou-o suavemente nos braços dela.
Então ordenou:
- Coloque-o em sua cama, e não o acordem.
A mulher assentiu com a cabeça e entrou no templo. Novamente Nicolly virou-se para o seu amigo e então disse:
- Isso não é um bom sinal. Ele tem andado muito alerta e estressado esses dias. Se ele continuar desse jeito, não durará até a próxima geração.
- Bem... - Matthew começou devagar – Ele já viveu por mil anos, acho que ele sobreviverá por mais uns mil - Brincou o rapaz.
Nicolly deu um suspiro e então disse:
- Espero que nossos Deuses lhe escutem, meu caro Matthew. Nós temos que nos preocupar com os outros cristais, não podemos deixar que os Jyers encostem neles. Isso comprometerá todo o nosso reino.
- É para isso que eu estou aqui, não é? - Disse ele, em uma tentativa mal sucedida de animá-la.
- Não importa quantos homens estejam dispostos a morrer, lutar ou matar por mim. Estou apenas preocupada com o que pode vir a acontecer – Disse ela melancólica.
- Fique preocupada o quanto quiser, mais saiba que está se preocupando com algo que nunca virá a acontecer. Assim você me ofende, duvidando de mim... e do juramento que eu fiz para proteger isso até o fim de minha vida, lembra-se? Você também fez o mesmo juramento, mais de maneira diferente. Ao contrário de mim, você não teve a sua escolha, você foi obrigada a fazer algo que você nunca quis. - Disse ele – Me lembro que sempre quando eu fazia o turno da noite, no templo, eu sempre passava em frente ao seu quarto, e você sempre chorava silenciosamente e falava coisas horríveis. Ainda bem que a senhorita passou dessa fase.
Ela deu de ombro, não queria pensar naquela cena deplorável em que ela ficara se lamentando, essa idéia não lhe agradara, e a idéia de ter sido vista não lhe era conveniente. Uma princesa sendo vista chorando, se sua mãe ou seu pai soubesse disso, provavelmente lhe brigariam e lhe diriam que isso, fez-a perder toda a sua dignidade.
- Eu não contei para eles, para não prejudicá-la, senhorita – Disse ele, ainda olhando-o.
Sua voz tomara um tom mais aveludada e mansa, provavelmente percebera que esse assunto não lhe agradara muito.
- Desculpe-me, princesa, acho que estou intrometendo-me de mais em vossa vida – Disse ele fazendo uma reverência
Ele sentiu uma dor aguda em sua cabeça e se sentou no chão. Pressionou a cabeça com força com os dois braços enquanto soltava alguns gemidos baixos.
- Sir Matthew, você está bem? - Perguntou a princesa, ajoelhando-se ao seu lado.
- Senhorita Nicolly, por favor... - Ele sussurrou pôs suas mãos grossas no ombro dela e olhou-a nos olhos – Peça para o Sir Marllet protegê-la essa tarde, para que eu possa ir ao médico, estou muito mal.
- Claro que pedirei – Ela disse – Quer que eu o ajude a se levantar?
- Não se ofenda princesa, mas isso seria muito humilhante... para um lorde como eu – Ele disse – Seria mais fácil se o Sir Malgun viesse comigo.
A garota sentiu-se ofendida mais então entendeu, seria muito humilhante se um Lorde fosse visto cambaleando apoiada em uma princesa de aparência frágil e inútil como ela. Então ela pediu para uma empregada chamar o Sir Malgun, para que ele o acompanhasse até o hospital...
domingo, 16 de agosto de 2009
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