domingo, 9 de agosto de 2009

ToB - CAPITULO 8 - NAMORADO.

Tive que me despedir de meu pai eu não o veria durante cinco dias. E a cada hora que se passava naquela casa eu queria sair de lá correndo.

- Nós podemos brincar, de pique-esconde, que tal? - Minha mãe tentava ter a minha atenção.

Eu olhei para ela e disse:

- Mãe, eu não sei se você percebeu, mais eu não sou tão pequena assim, e eu já tenho dezesseis anos, como eu sempre tive desde a última vez em que nos vimos que não faz nem um mês – Eu disse, logo repreendi-me por estar sendo tão grossa com ela.

- Desculpe – Eu me desculpei – Eu apenas estou cansada.

- Tudo bem – Ela disse – Vou lhe mostrar o seu quarto, me siga.

Dava para ver que ela estava se esforçando mais eu estava complicando um pouco as coisas para ela, isso me fez sentir culpada. Então cheguei a conclusão que eu tentaria esquecer o que eu vi e
senti e tentaria dar o melhor de mim.

- Aproposito, o violino... - Eu comecei.

- Eu já o coloquei no seu quarto – Ela me interrompeu.

- Bem, não era isso o que eu iria dizer mais obrigada. O que eu ia dizer é... - Eu reformulei a frase
– Obrigada por tê-lo guardado para mim, significa muito.

- Mesmo? - Ela disse, mais em seu tom não tinha ironia só interesse.

- Hum, é, afinal foi o meu professor que me deu, no meu... - Ela interrompeu-me novamente.

- No seu primeiro conserto e blá blá blá. - Ela disse – Você só me falou isso umas vintes vezes.

Agora era ela quem estava sendo grosseira comigo.

Olhei ao redor, no corredor longo e escuro, sem sinal de minha irmã.

- Hum, cadê a Ângela? - Eu perguntei, tentando puxar assunto.

- Ela saiu com as amigas – Ela informou. - Pena que você não vai poder sair com os seus.

- O quê? - Eu perguntei surpresa.

- Jacques quer que você fique trancada aqui – Ela disse – Ele disse que você está de castigo.

- Por qual motivo? - Eu perguntei.

- Ele disse que você fez amizade com maus elementos – Ela disse.

Senti a raiva vir formando dentro de mim. Daniel de fato não era um mau elemento, ele era gentil, educado e cavalheiro. Senti a vontade de ter dado continuidade às nossas discussões que ele sempre ignorava.

- E eu não gostei dessa história, se você desobedecer alguma regra na minha escola depois das férias você irá receber vários castigos – Ela disse com raiva.

Ela abriu a porta do lado esquerdo, no fim do corredor. Era grande o quarto, era branco, com a parede que a cama estava encostada, estava pintada de Vermelho. A cama era de casal com a armação de madeira.

Na frente da cama, havia uma televisão larga. Ao lado da porta de vidro, havia uma escrivaninha, onde em cima estava o meu violino. O meu primeiro e único violino.

- É um quarto bonito – Eu elogiei.

- Obrigada – Ela respondeu.

- Me responda uma coisa mãe, eu vou poder assistir Televisão? - Eu perguntei.

Seu rosto iluminou-se ao me ouvir chamá-la de mãe.

- Sim, você só não pode sair – Ela disse.

- Acho que eu vou tomar banho e ir dormir – Eu disse para mim mesma.

- Então vejo você amanhã – Ela disse – Boa noite.

Quando ela saiu, eu fui para o banheiro tomar um banho. Quando eu me deitei na cama eu não consegui dormir, me levantei e fui até o violino. Ele estava como eu o deixara, a única diferença era que ele estava cheio de poeira. Mas, ele estava como eu me lembrava, as cerdas do arco estavam afrouxadas.

Me lembro que eu cuidava tão bem dele que até a Ângela ficava com ciúmes. “Parece até que esse violino é seu namorado” Ela resmungava.

Peguei a flanela para limpeza e o limpei durante um tempo. Até eu estar cansada, tinha que desconcentrar a minha energia, eu acho que não deveria ter dormido aquela hora.

Eu coloquei-o dentro de seu estojo e me deitei na cama. Quando dei por mim havia adormecido profundamente.

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