quinta-feira, 6 de agosto de 2009

CAPITULO 5 - Minha irmã

No inicio ele pegou leve com as perguntas, tipo “qual a sua cor favorita?”, “qual o seu número da sorte?”, e depois mudou para “como é ter um pai que nunca está em casa?” e “Quem cozinha para você?”.

E eu respondi, azul celeste, dois, solitário e eu mesma.

- Pode parar com essas perguntas tolas – Eu disse – Pergunte o que quiser.

- Sendo assim... - Ele disse um pouco incerto – Com quantos homens a sua mãe saiu?

- Eu a peguei com cinco vezes, homens diferentes. O primeiro foi o ex-senhor Moriyama, o segundo foi o General Armstrong, o terceiro foi o senhor Marcus, o quarto foi o senhor Wenchester, e o quinto foi o senhor Clearwater – Ele me olhou incrédulo – Ela ofereceu um “apoio emocional”- Eu disse sarcasticamente.

- É uma lista longa, e eu havia pensado que o Philipe Clearwater era tão ingênuo – Ele disse surpreso.

- Nem me fale – Eu disse.

- E o seu pai gosta da senhorita Moriyama? - Ele perguntou.

- Eu não sei, ele não mistura, amor com trabalho e com família. Então ele nunca fala sobre ela, não comigo por perto, pelo menos – Respondi.

Eu olhei para ele, parece que a chama de perguntas diminuíra. Porém a cada pergunta que ele fazia a chama voltava a se acender, me perguntei se isso não teria fim. Ele abaixou a cabeça, talvez ele quisesse fazer uma pergunta que não tivera coragem.

- Vamos pergunte – Eu o encorajei.

- Você disse que não podia sonhar... eu me pergunto como exatamente é isso? - Ele perguntou enfim.

Eu abaixei a cabeça e pensei em uma maneira de explicar, mais não consegui. Era muito complicado.

- É estranho... - Eu comecei devagar – No início eu mentia para mim mesma... sabe quando você tem um sonho e não consegue... se lembrar dele. É mais ou menos assim, só que um pouco pior, você se sente como se não tivesse dormido. É algo muito complicado.

Ele soltou um “hum” e se perdeu em pensamentos. Eu o observava enquanto ele fazia alguns gestos, levando a mão a boca ou ao queixo, fazendo uma pose pensadora.

- Não consesgue imaginar, não é? - Eu adivinhei.

Ele assentiu com a cabeça.

- Eu já esperava isso – Eu disse.

Ele olhou por cima de meu ombro e disse:

- Essa não.

- O que foi? - Perguntei sem me virar.

- Sua irmã – Ele disse com desgosto.

Escutei os passos de seus sapatos caros se aproximarem de nós dois. E então com sua voz aguda ela disse:

- Ah, oi Daniel.

Ela nem se preocupou em tirar o som do interesse em sua voz.

- Oi... Ângela – Ele disse.

Eu fingi que nem havia visto ela se aproximar, e esperava que ela não houvesse me notado. Encolhi os ombros.
- Escuta, foi muito chato o que aconteceu com a Jess, quer dizer ela sempre ia ao salão comigo, e se você precisar de um ombro amigo, bem... eu estou aqui – Ela se ofereceu.

O olhar dele brevemente foi para mim, então ele disse:

- Obrigado, Ângela por se oferecer, é bom saber que há pessoas tão solidárias quanto a Lucy nessa cidade – Ele disse numa tentativa de provocá-la. - Bem, o que vale é a intenção.

Obrigada, Daniel, ela realmente me notou. Ele até fez um gesto apontando para mim. E eu me virei para olhá-la.

Seu sorriso falso se desfez, se tornando um rosto de reprovação.

- Já faz um bom tempo que não nos vemos, não é Ângela. Hum, você mudou o cabelo – Eu dei um sorriso simpático.

- Sempre dei graças à Deus, por não partilharmos o mesmo rosto – Ela disse com desgosto.

Ela deu meia volta e eu disse:

- Foi um prazer revê-la novamente.

Ela se virou e fez um gesto obsceno com a mão.

- Ela me odeia – Eu disse me virando para ele – E você não ajudou.

- Mais foi divertido assistir – Ele disse – Ela mostrou o D-E-D-O.

- Hum, Daniel, a palavra Dedo não é palavrão – Eu o informei.

Nós dois rimos durante um tempo, desse acontecimento. E então ele olhou no relógio e decidiu que já estava na hora de comermos.

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